A Influência dos Espíritos

Será que os espíritos podem nos influenciar? Podemos evitar esta influência? Nem todos os espíritas compreendem a importância deste assunto e da sua conseqüência prática na vida de cada um de nós. Neste artigo, procurei separar os principais argumentos de Allan Kardec e também de respostas dos espíritos superiores sobre o assunto, então vamos lá:

Nossa alma, que afinal de contas não é mais que um Espírito encarnado, não deixa por isso de ser um Espírito. Se revestiu momentaneamente de um envoltório material, suas relações com o mundo incorpóreo, embora menos fáceis do que quando no estado de liberdade, nem por isto são interrompidas de modo absoluto; o pensamento é o laço que nos une aos Espíritos, e pelo pensamento atraímos os que simpatizam com as nossas idéias e inclinações.” 

Todos nós somos espíritos, quer estejamos encarnado, quer desencarnado, o que difere os encarnados dos desencarnados é que os espíritos encarnados estão ligados a um corpo físico. Portanto nós que estamos no momento encarnados temos um veículo de comunicação com o mundo espiritual, e este veículo é o pensamento, e o pensamento é uma forma de comunicação e de atrairmos a presença de bons ou maus espíritos de acordo com a qualidade dos nossos pensamentos.

É preciso não perder de vista que os Espíritos constituem todo um mundo, toda uma população que enche o espaço; circula ao nosso lado, mistura-se em tudo quanto fazemos. Se viesse a levantar o véu que no-los oculta, vê-los-íamos em redor de nós, indo e vindo, seguindo-nos, ou nos evitando, segundo o grau de simpatia; uns indiferentes, verdadeiros vagabundos do mundo oculto, outros muito ocupados, quer consigo mesmos, que com os homens aos quais se ligam, com um propósito mais o menos louvável, segundo as qualidades que os distinguem. Numa palavra, veríamos uma réplica do gênero humano; com suas boas e más qualidades, com suas virtudes e seus vícios. Esse acompanhamento, ao qual não podemos escapar, porque não há recanto bastante oculto para se tornar inacessível aos Espíritos, exerce sobre nós, malgrado nosso, uma influência permanente. Uns nos impelem para o bem, outros para o mal; muitas vezes as nossas determinações são resultado de sua sugestão; felizes de nós, quando temos juízo bastante para discernir o bom e o mau caminho por onde nos procuram arrastar.” 

“Sendo a Terra um mundo inferior, isto é, pouco adiantado, resulta que a imensa maioria dos Espíritos que a povoam, tanto no estado errante, quanto encarnados, deve compor-se de Espíritos imperfeitos, que fazem mais mal que bem. Daí a predominância do mal na Terra. Ora, sendo a Terra, ao mesmo tempo, um mundo de expiação, é o contato do mal que torna os homens infelizes, pois se todos os homens fossem bons, todos seriam felizes. É um estado ainda não alcançado por nosso globo; e é para tal estado que Deus quer conduzi-lo. Todas as tribulações aqui experimentadas pelos homens de bem, quer da parte dos homens, quer da dos Espíritos, são conseqüências deste estado de inferioridade. Poder-se-ia dizer que a Terra é a Botany-Bay dos mundos: aí se encontram a selvageria primitiva e a civilização, a criminalidade e a expiação.” 

Os Espíritos que nos cercam não são passivos: formam uma população essencialmente inquieta, que pensa e age sem cessar, que nos influencia, malgrado nosso, que nos deita e nos dissuade, que nos impulsiona para o bem ou para o mal, o que não nos tira o livre arbítrio mais do que os bons ou maus conselhos que recebemos de nossos semelhantes. Entretanto, quando os Espíritos imperfeitos solicitam alguém a fazer uma coisa má, sabem muito bem a quem se dirigem e não vão perder o tempo onde vêem que serão mal recebidos; eles nos excitam conforme as nossas inclinações ou conforme os germens que em nós vêem e segundo as nossas disposições para os escutar. Eis por que o homem firme nos princípios do bem não lhes dá oportunidade.” 

“É, pois, necessário imaginar-se o mundo invisível como formando uma população inumerável, compacta, por assim dizer, envolvendo a Terra e se agitando no espaço. É uma espécie de atmosfera moral, da qual os Espíritos encarnados ocupam a parte inferior, onde se agitam como num vaso. Ora, assim como o ar das partes baixas é pesado e malsão, esse ar moral é também malsão, porque corrompido dos Espíritos impuros. Para resistir a isso são necessários temperamentos morais dotados de grande vigor. 

Nunca estamos sozinhos em nenhum momento sequer e em qualquer lugar do Universo, portanto ao nosso redor sempre há espíritos a nos espiar, alguns deles nos incentivam ao bem, outros ao mal, dependendo da evolução moral e intelectual de cada um. Nosso planeta por se encontrar na segunda categoria dos mundos habitados, a predominância é de encontrarmos aqui os maus espíritos, e é por causa disso,que nosso mundo está sujeito a tantas infelicidades, a sofrimentos e dores. Concluímos então que a influência dos espíritos maus são em maior grau do que a dos espíritos bons.

E essa influência espiritual, quer queiramos ou não elas ocorrem e não há forma de evitar. O que devemos fazer é discernir os bons conselhos dos maus, e escolher da melhor forma possível. Se estamos em dúvida sobre se é bom ou não os nossos pensamentos, basta nos colocarmos no lugar do próximo, se gostarmos que alguém nos faça tal coisa, é porque é bom faze-la aos outros. Os espíritos ignorantes e maus também sabem onde se encontram nossos defeitos e nos excitam a estas paixões. Por isso é tão difícil se largar de um vício grosseiro, como cigarro, álcool e drogas, assim como também os vícios morais, como desonestidade, adultério, agressividade e tantos outros, porque além da nossa vontade em praticar estes hábitos, estes vícios, juntam-se também a influência dos espíritos. Apesar disso, a culpa principal sempre recairá sobre nós, porque temos o livre arbítrio de aceitar ou não, e se o fizermos é porque queremos fazer.

P. Os Espíritos influem sobre os nossos pensamentos e as nossa ações?R. - Nesse sentido a sua influência é maior do que supondes, porque muito freqüentemente são eles que vos dirigem. (Pergunta 459 do Livro dos Espíritos)

Por causa desta resposta, Kardec chegou a conclusão de que todos nós somos mais ou menos médiuns naturais, e todos nós somos de uma forma ou de outra influenciados pelos espíritos, ao bem ou ao mal, de acordo com a nosso índole e de acordo com a nossa vontade.

As imperfeições morais dão acesso aos Espíritos obsessores, e de que o meio mais seguro de livrar-se deles é atrair os bons pela prática do bem. Os Espíritos bons são naturalmente mais poderosos que os maus e basta a sua vontade para os afastar, mas assistem apenas àqueles que os ajudam, por meio dos esforços que fazem para se melhorarem. Do contrário se afastam e deixam o campo livre para os maus Espíritos, que se transformam assim em instrumentos de punição, pois os bons os deixam agir com esse fim”. – Livro dos Médiuns

A comunhão de pensamentos e de sentimentos para o bem é, assim, uma condição de primeira necessidade e não é possível encontrá-la num meio heterogêneo, onde tivessem acesso as paixões inferiores como o orgulho, a inveja e o ciúme, as quais sempre se revelam pela malevolência e pela acrimônia de linguagem, por mais espesso que seja o véu com que se procure cobri-las. Eis o abecê da Ciência Espírita. Se quisermos fechar a porta desse recinto aos maus Espíritos, comecemos por lhes fechar a porta de nossos corações e evitemos tudo quanto lhes possa conferir poder sobre nós. Se algum dia a Sociedade se tornasse joguete dos Espíritos enganadores, é que a ela teriam sido atraídos. Por quem? Por aqueles nos quais eles encontram eco, pois vão aonde são escutados. É conhecido o provérbio: Dize-me com quem andas, dir-te-ei quem és. Podemos parodiá-lo em relação aos nossos Espíritos simpáticos, dizendo: Dize-me o que pensas, dir-te-ei com quem andas. 

O meio mais poderoso de combater a influência dos Espíritos maus é aproximar-se o mais possível da natureza dos bons. 

Kardec nesta afirmação diz categoricamente que se temos afinidade com espíritos ignorantes e maus a culpa é única e exclusivamente nossa, porque pensamos e por conseqüência vibramos uma energia que atrai os espíritos afins. Se quisermos atrair bons espíritos ao nosso redor, devemos começar pela nossa transformação moral, nos educar, nos esforçar na prática do bem e também dominando as nossas más inclinações. Temos que ter em mente qual é a nossa qualidade mental, em que pensamos e em que obramos, se forem maus, contrários a caridade e aos ensinos do Evangelho, devemos o quanto antes nos reformarmos, pois estamos indo no caminho errado.

P. Os Espíritos que desejam incitar-nos ao mal limitam-se a aproveitar as circunstâncias em que nos encontramos ou podem criar esses tipos de circunstâncias? R. - Eles aproveitam a circunstância, mas freqüentemente a provocam, empurrando-vos sem o perceberdes para o objeto da vossa ambição. Assim, por exemplo, um homem encontra no seu caminho uma certa quantia: não acrediteis que foram os Espíritos que puseram o dinheiro ali, mas eles podem dar ao homem o pensamento de se dirigir naquela direção, e então lhe sugerem apoderar-se dele, enquanto outros lhe sugerem devolver o dinheiro ao dono. Acontece o mesmo em todas as outras tentações. - (Pergunta 472 do Livro dos Espíritos)

Dizer que Espíritos levianos jamais deslizaram entre nós, para encobrirmos qualquer ponto vulnerável de nossa parte, seria uma presunção de perfeição. Os Espíritos superiores chegaram mesmo a permiti-lo, a fim de experimentar a nossa perspicácia e o nosso zelo na pesquisa da verdade. Entretanto, o nosso raciocínio deve pôr-nos em guarda contra as ciladas que nos podem ser armadas e em todos os casos dá-nos os meios de evitá-los.

Muitas pessoas pensam que por freqüentar um bom Centro Espírita ou se alguém se julga ser uma pessoa “boa”, elas estão livres das influências dos espíritos maus, o que não é verdade, pois mesmo Jesus sendo um espírito puro também foi tentado quanto esteve encarnado entre nós. E se o Mestre o foi, quem de nós pode dizer-se livre das influências dos maus espíritos? Devemos ter isso sempre em mente, para ficarmos sempre alerta. Não foi a toa que Jesus disse: “Orai e vigiai para que não caie em tentação!”.

P. Por que meio se pode neutralizar a influência dos maus Espíritos? R. - Fazendo o bem e colocando toda a vossa confiança em Deus, repelis a influência dos Espíritos inferiores e destruis o império que desejam ter sobre vós. Guardai-vos de escutaras sugestões dos Espíritos que suscitem em vós os maus pensamentos, que insuflam a discórdia e excitam em vós todas as más paixões. Desconfiai sobretudo dos que exaltam o vosso orgulho, porque eles vos atacam na vossa fraqueza. Eis porque Jesus vos faz dizer na oração dominical: "Senhor, não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal!" -(Pergunta 469 do Livro dos Espíritos)

Os mais perigosos inimigos da Sociedade não são os de fora: podemos fechar-lhes as portas e os ouvidos. Os mais temíveis são os inimigos invisíveis, que aqui poderiam introduzir-se malgrado nosso. Cabe-nos provar-lhes, como já o temos feito, que perderiam o tempo se tentassem impor-se a nós. Sabemos que a sua tática é procurar semear a desunião, lançar o facho da discórdia, inspirar a inveja, a desconfiança e as susceptibilidades pueris, que geram a desafeição.”  

Muitos espíritas pensam que nossos maiores adversários são os de fora, os religiosos de outras crenças, enganam-se, quem pensa assim, pois Kardec afirmou que os maiores inimigos são os de dentro. E quem são os inimigos? São irmãos nossos que trabalham conosco e que por invigilância, por não se esforçarem em reformar-se moralmente ou pelo orgulho. São presas fáceis para os espíritos trevosos que os levam a obsessão, e muitas delas graves, como a fascinação. São estes irmãos que levam as vezes um grupo inteiro ao desequilíbrio, a desunião, a discórdia. Devemos ficar sempre atentos numa sociedade para que quando ocorrer, tratemos o mal enquanto é tempo, sem causar um prejuízo maior ao trabalho e a união do grupo. Os grupos sérios devem der normas de segurança, ter um controle, para afastar irmãos enfermos dos trabalhos práticos e encaminhá-los ao tratamento espiritual. Sabemos que toda e qualquer obsessão é causada pelas falhas morais, que são a porta de entrada de espíritos obsessores no nosso psiquismo. Toda a cautela pois é necessária, e é claro do esforço em nos corrigirmos moralmente.

“Uma reunião é um ser coletivo cujas qualidades e propriedades são a soma de todas as dos seus membros, formando uma espécie de feixe. Ora, esse feixe será tanto mais forte quanto mais homogêneo.”  

Esse é outro fator que muitos espíritas não levam em conta. Toda reunião, seja ela pública, seja coletiva, é formada por uma corrente de pensamento, um feixe de varas, conforme definiu Allan Kardec. Esta corrente de pensamento é somada por todos os participantes encarnados e desencarnados do ambiente. Por exemplo, em uma reunião mediúnica, só podem participar delas, aqueles irmãos devidamente preparados, que tenham conhecimento doutrinário, seriedade, que estejam imbuídos do mesmo objetivo e que cada um dos membros procure ser uma pessoa que constantemente se esforce em melhorar-se. Pois quanto melhores forem os membros, melhores serão as condições fluídicas da reunião. É por isso que as reuniões mediúnicas não são abertas ao público e também não são admitidas nela qualquer trabalhador que não tenha as condições mínimas exigidas para este trabalho prático.

Chego ao final deste estudo e a seguinte conclusão: Devemos priorizar a nossa Reforma Moral, tornarmos criaturas melhores, sabendo que temos responsabilidades perante o próximo, e que cabe a nós amá-los e ajuda-los em todos os momentos da nossa vida. Se nos tornarmos em pessoas melhores, menos seremos sujeitos a influências de espíritos ignorantes e teremos uma vida mais sadia em todos os aspectos. Só podemos ser pessoas melhores conhecendo as Leis de Deus, nos esforçando em domar nossas más inclinações e amando a Deus e ao nosso próximo. E lembrando de duas coisas que Jesus nos ensinou sobre as influências espirituais, uma na prece do “Pai Nosso” ele disse: “Não nos deixe cair em tentação, mas livrai-nos do mal”, ou seja sempre pedir a Deus que nos livre das tentações(influências) e a Segunda, o orar e vigiar, hábito que deve ser constante de todo aquele que se julga Cristão para que não caiamos em tentação!

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